Faz um ano que descobri que estava "grávida"!
Tal como na primeira gravidez, esta também não tinha sido planeada.
Apenas uma diferença a distinguia da primeira: o meu "bebé" não estava a ser gerado na barriga mas sim, no meu peito, mais precisamente, na minha mama direita!
Tal como na primeira vez, o choque foi imediato!
Medo, incerteza, dúvida, foram sentimentos que pairaram na minha cabeça durante algum tempo, nas duas ocasiões.
O momento em que, à 7 anos, a ginecologista através da ecografia me disse que esperava um bebé, foi perversamente igual ao momento em que o senologista me disse que no meu peito estava a se desenvolver um nódulo!
A minha filha, que tanto pedia um irmão, tinha que ser preparada para a possibilidade deste "irmão" poder vir-lhe a roubar a mãe!
Não podia permitir que tal acontece-se!
A minha princesa merecia o melhor de mim...
Agarrando-me com toda a força, fé, confiança e, acima de tudo num Credo Superior, recebi o resultado que qualquer mulher mais teme: Carcinoma Ductal Invasivo no quadrante superior da mama direita!
Ao contrário da minha primeira gravidez, esta não era desejada! Não resultava de um ato de amor entre um homem e uma mulher. Era apenas fruto de uma vontade própria, egoísta e devastadora de umas células degenerativas!
Abortei! É o que melhor resume a cirurgia realizada de excisão.
A perda de algo que nos rouba parte de nós!
Qualquer mulher quando passa pela experiência de ter um filho, transforma-se, fica mais forte, capaz de tudo por um amor incondicional jamais imaginado atingir.
Pois eu, tive a sorte de ter sido mãe, duma menina que me tornou numa guerreira, numa lutadora, numa mãe-coragem capaz de tudo em nome desse amor; e de uma neoplasia que me definiu o importante, o essencial e a razão do meu viver!
Trouxe-me o saber aceitar, o saber agradecer e principalmente permitiu que eu me encontrasse!
Ainda tenho um longo caminho a percorrer mas, agora sim, sinto que estou no meu caminho...
Sorrindo para a Vida!

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