terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Dezembro

                                  

Dezembro!...

O mês que tantos desejam e que a mim tanto me inquieta!
Mais um dezembro...
Dois!
Dois anos de renovação e gratidão.
A vida oferece-nos em diversos momentos, motivos para agradecer!
Praticar a gratidão é um desafio diário, ajuda-nos a ultrapassar situações que por vezes teimam em querer fugir ao nosso controlo.

Chico Xavier diz:"a dor, o desafio, seja ele qual for, não vem para esmagar, mas para induzir a crescer, e está no homem escolher ser abismo ou ponte."

Por vezes somos postos à prova e de alguma forma somos obrigados a escolher: sermos a ponte ou sermos o abismo!

O cancro permitiu-me escolher ser ponte... A ponte para o melhor de mim!
Ser ponte e resiliência...
Resiliência de ser capaz de lidar com os problemas, vencer obstáculos, não ceder às pressões...

Mas haverá sempre dezembro!
Dezembro da angústia de novos exames, da incógnita dos resultados, da incerteza do destino!

Dezembro do abismo!

Mas, na minha resiliência, eu escolhi ser ponte!
Escolhi ser a ponte para o meu crescimento pessoal e espiritual, escolhi não ter medo, escolhi aceitar e agradecer.

Na minha resiliência... Eu escolhi ser janeiro!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Meu destino na vida é maior


Adoro a sensação inexplicável de me apaixonar por músicas da mesma forma que nos apaixonamos no amor.

A surpresa do inesperado, 
A sensação de conexão,
A vontade constante de ouvir, de sentir, de ser, e estar...

Quando uma música consegue dizer tanto em tão pouco, e nos preenche a alma que se torne quase impossível fugir-lhe sem que nos prenda de forma pura e nos encha de uma enorme vontade de viver e ser feliz, da qual só nos resta... a paixão!


É a melodia que nos arrebata de tal forma que nos deixa viciados, e se entranha na nossa pele qual perfume de fragrância doce!

É a letra que nos despe com tal subtileza que nos expõe sem tabus.
É o refrão que nos encoraja a sermos cada vez mais Mulheres e de acreditar.
E é a coragem de avançar, sem medo de errar!
E é a certeza de que o melhor de nós está para chegar!



Hoje a semente que torna na terra
E que se esconde no escuro que encerra
Amanha nascerá uma flor.
Ainda que a esperança da luz seja escassa
A chuva que molha e passa 
Vai trazer numa luta amor.

Também eu estou à espera da luz
Deixou-me aqui onde a sombra seduz.
Também eu estou à espera de mim
Algo me diz que a tormenta passará.

REFRÃO:
É preciso perder para depois se ganhar
E mesmo sem ver, acreditar.
É a vida que segue e não espera pela gente
Cada passo que demos em frente
Caminhando sem medo de errar.
Creio que a noite sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar.

Quebro as algemas neste meu lamento,
Se renasço a cada momento,
Meu destino na vida é maior.

Também eu vou em busca da luz
Saio daqui onde a sombra seduz.
Também eu estou à espera de mim
Algo me diz que a tormenta passará.

REFRÃO:
É preciso perder para depois se ganhar
E mesmo sem ver, acreditar.
É a vida que segue e não espera pela gente
Cada passo que demos em frente
Caminhando sem medo de errar.
Creio que a noite sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar.

Sei que o melhor de mim está pr'a chegar!
Sei que o melhor de mim está por chegar.
Sei que o melhor de mim está pr'a chegar





sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Das saudades...


Voltei a Évora...

Não por necessidade, mas por saudades!
Não saudades minhas.

A minha filha tinha saudades de Évora... 
Insistentemente o ia fazendo saber, e cobrando a nossa constante indisponibilidade para o satisfazer.

Como é que era possível, uma criança agora com 8 anos ter saudades de um lugar que foi "obrigada" a visitar para me acompanhar nos tratamentos de radioterapia?

Como era possível, ter-se saudades de um hospital?
Ter saudades de ficar 4, 5 ou ás vezes até mais horas, enfiada numa sala de espera, tendo por companhia mulheres carecas, mulheres mutiladas, mulheres sofridas?

Mas tinha... e muitas!

Um ano e um mês depois de ter deixado para trás um local que foi meu durante 30 dias, decidi "matar as saudades".

A viagem foi mais leve.
A paisagem mais colorida.

A placa branca com a palavra "Évora" escrita a tinta preta fez sair um grito de exclamação do banco de trás do carro: "A sério mãe, estamos em Évora?"

Respondi afirmativamente.
"Não acredito, vou poder voltar a andar no baloiço do jardim!"

O comentário fez-me pensar que as crianças é que têm razão ao não quererem crescer...
A terem a capacidade de olhar para a vida pelo lado mais simples, e feliz!

Perguntei onde queria ir almoçar.
A resposta foi certa e sabida: "Nos Bombeiros!"

A cafetaria dos Bombeiros Voluntários de Évora foi, durante muito tempo, o nosso conforto do estômago e da alma!

Após a escolha do restaurante, decidi que iríamos fazer tudo como fizemos durante 30 longos dias, um ano antes.

Estacionei o carro na mesma rua onde sempre ficou...

O percurso até aos Bombeiros foi o mesmo, com uma diferença, não foi interrompido a meio com um desvio para o Hospital!

O Hospital! O hospital esse, acompanhou-nos durante grande parte do caminho.
Não fui capaz de o encarar...
Tudo à sua volta transpira radiações, mulheres fragilizadas, dores, medos...

Desta vez não entrei, mas terei que o fazer um dia, quando a queimadura no peito deixar de arder! No dia que o fizer, poderei avançar!

Depois do almoço, novo destino: o jardim do parque infantil!
"Finalmente vou poder voltar a andar no baloiço!"

Sentada no banco do jardim, observei-a e deliciei-me em ver como estava feliz!

Aquele jardim, paragem obrigatória entre a saída do hospital e o regresso a casa, enchia-nos o coração de paz e tranquilidade!
Voltou a fazê-lo.

Desta vez aproveitá-mos para conhecer um pouco mais!
Aproveitámos para criar novas memórias, novas saudades.
Desta vez saudades de cura e de amor!

No regresso a casa, um enorme sorriso enchia o banco de trás do carro!
"Mãe obrigada, já não tenho saudades de Évora!"

Voltaremos a Évora sim, sempre que tivermos saudades!



sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O Melhor


"Vai buscar o melhor que há em ti.
Esses olhos, que falam com a expressão da alma.
Vai buscar.
Deixa saltar cá para fora a Deusa (o Deus) que és.
Todos vocês são Deuses. Porque é que tentam escapar disso?
Porque é que tentam esconder, manipular, mentir, seduzir, alcançar o que não é vosso?
Vai buscar o melhor que há em ti.
Tens uma essência. Tens uma luz. Tens uma alma.
Vibrar por aí vai fazer-te brilhar. Brilhar ainda mais.
Vai buscar a tua lua, a tua vida inconsciente.
Trá-la cá para fora, olha-a nos olhos e prescinde dela.
Só aí vou conseguir tocar o teu coração. E este, ao sentir o meu toque, vai reagir. Vai abrir-se, vai sorrir, vai iluminar-se de alegria.
Mas tens de ter consciência e escolher ir buscar o melhor de ti.
Deverá ser uma escolha diária, hora a hora, minuto a minuto, instante a instante.
A cada circunstância, a cada rejeição, julgamento ou culpa, escolhe o melhor de ti.
Chora o que tens de chorar, mas escolhe-te a ti.
E vais ver que à conta de isto acontecer, a vida muda de frequência e as coisas começam a sorrir outra vez.


JESUS"


Excertos de "O Livro da Luz" de Alexandra Solnado

domingo, 19 de abril de 2015

Eu fico com você, esperança!


"O sonho comanda a vida"...

E quem é que comanda o sonho!?
Eu digo que cabe a nós comandá-lo!

Mais do que ter a capacidade de sonhar, a verdadeira felicidade está na capacidade de transformar os sonhos em projetos de vida realizados!

Mas nem sempre isso é possível.
Há que ter a capacidade de esperar... de amadurecer... de sentir... de crer!
Tudo na vida tem o seu tempo para acontecer, para estar em sintonia e equilíbrio, para que faça sentido!

Eu tinha um sonho! Um sonho chamado voluntariado!
Sonhei-o durante muitos anos mas só agora se tornou realidade...

A vida deu-me a provação de passar pela experiência do cancro, de ser vítima, de sentir a dor, de saber ter fé, acreditar e sorrir, para estar preparada para o desafio!

Não podia ajudar se não tivesse sofrido, se não "falasse a mesma linguagem"!

O sofrimento é o nosso elo de ligação e a cura a meta a atingir!

Só agora fez sentido!
Só agora é que fui merecedora de tamanha dádiva!

E o sonho nasceu...

Chama-se MISSÃO CORAGEM!
Da qual muito me orgulho e a qual espero que possa vir a ajudar muitas mulheres, e homens, a acreditar, a sorrir e a terem Esperança num final feliz!

E como na vida não devemos andar sozinhos, espero que esta seja, também, a missão coragem de muitos! 


Boa semana e, não deixem de comandar os sonhos da vossa vida!


Esperança (Aliados)

Enquanto ela estiver aqui
Ainda haverá o amor

Com ela eu estou feliz, com ela eu enfrento a dor

Não adianta fugir, não adianta chorar
E se um dia ela sumir, nada mais irá sobrar

Sonhar, viver, e todo dia agradecer
E rezar pra você ser a última a morrer

Podem tentar me atingir
Podem me mandar pra onde for
Enquanto ela estiver aqui a vida ainda tem valor

Sonhar, viver, e todo dia agradecer
E rezar pra você ser a última a morrer

Uma gota de você vale mais que tudo
Quando a solução não pode resolver
Eu fico com você, esperança
Eu fico com você

Sonhar, viver, e todo dia agradecer
E rezar pra você ser a última a morrer
Sonhar, viver, e todo dia agradecer
E rezar pra você ser a última a morrer, esperança
Esperança



quinta-feira, 19 de março de 2015

Golpe de asa


"Acho que estarás mal aproveitada, tens asas para voar sozinha!"

Disse-me uma amiga no meio de uma conversa.

Esta observação deixou-me pensativa...

Verdade é, que muitas vezes só fazemos o que conhecemos, o que sabemos que vai dar certo.
Tememos o risco, a incerteza!
Fechadas nos nossos próprios conceitos e preconceitos, não arriscamos sair da nossa zona de conforto!

Nunca damos o "golpe de asa"...

Um pássaro enquanto voa e muda abruptamente de rumo, sem aviso prévio, sem preparação, arrisca um golpe de asa! E, ao sabor do vento, ao sabor da vida, arrisca!

Nós somos incapazes de arriscar golpes de asa. Aceitar percorrer caminhos menos conhecidos...

Arriscar.

Fazer o que a nossa intuição nos diz.
Aprender a perceber onde é que a nossa intuição nos leva.
Cada um de nós tem capacidades intuitivas extraordinárias.
Preferimos por vezes, de modo mais cómodo, escolher acreditar que não somos capazes, e que a intuição não é boa coisa. 


Bloqueamos.

Bloqueamos a capacidade de andar antes do tempo e de cuidar para que tudo possa acontecer como tem de acontecer, pelo simples facto de termos intuído.
«Eu não sou capaz.» «Eu não mereço.» «Isto é bom demais para mim.» são frases que deveriam deixar de fazer parte do nosso vocabulário!

Mudança.

Mudança de caminho, mudança de vida. Mudança de estruturas e mudança de vista. 
Quanto mais mudamos, mais o nosso olhar se vai abrindo para o infinito, para as novas dimensões e com isso conseguiremos, num ato de proeza e coragem, dar-mos o nosso "Golpe de Asa"!


Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser-quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar....
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

.........................................
.........................................

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

                            Mário de Sá Carneiro
                                     19 Maio 1890 // 26 Abril 1916 
                                        Poeta/Contista/Ficcionista

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A cicatriz feita tatuagem

Aos 30 anos decidi ser irreverente! Coloquei um piercing no umbigo...

Aos 40 anos decidi ser ainda mais irreverente! Quis fazer uma tatuagem...
Queria marcar no corpo a minha história de amor, celebrando o dia em que fui mãe! Não a cheguei a fazer.

Fi-la aos 41 anos, sem a desejar. Uma tatuagem que marcará para sempre o meu corpo e que me lembrará para sempre o dia em que não fui mãe...

Uma marca que apesar de discreta e "perfeita" me obriga a lembrar diáriamente que um dia, o meu corpo pode me trair novamente e, de uma hora para outra, me obrigar a conviver com a perda da vida que julgamos ser normal.

O meu seio ficou diferente, mais pequeno, mas as minhas metas, os meus sonhos e os meus projetos ficaram agora muito maiores!

Não nego todos os medos, anseios e dúvidas que me perseguem nos momentos de maior fragilidade, mas, agarrando-me à fé e às terapias que fui descobrindo e que me ajudam a fortalecer o meu Eu, e não o meu Ego, recupero...

Recupero e vem de súbito uma vontade de não perder um minuto sequer da vida e “agarrar o touro pelos cornos”.

O ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar a novas situações.

Tive uma segunda chance de viver!

Estou viva, e com uma cicactriz feita tatuagem!









quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Dia Mundial de Luta Contra o Cancro



Assinala-se hoje, dia 4 de fevereiro, o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, que teve como base a Carta de Paris, aprovada no ano 2000, na Cimeira Mundial Contra o Cancro para o Novo Milénio. Carta esta que apela à aliança entre investigadores, profissionais de saúde, doentes, governos e parceiros da indústria no âmbito da prevenção e tratamento do cancro. 

O Dia Mundial de Luta Contra o Cancro surge assim como forma de desmistificar algumas das ideias pré-concebidas sobre o cancro e informar sobre fatos reais da doença, consciencializando as pessoas de que muito se pode fazer.

A campanha de consciencialização deve ser focada essencialmente através de uma abordagem positiva e pró-ativa na luta contra o cancro em todo o mundo, transmitindo a mensagem de que há esperança e que todos os esforços estão ao nosso alcance, realçando a importância do diagnóstico precoce, através do acesso a programas de rastreio, e a necessidade de garantir a igualdade de direitos nos acessos a tratamento eficazes e serviços, independentemente da área geográfica.

Com o tema ”Not beyond us”, o Dia Mundial do Cancro 2015, a campanha de 2015 é articulada em torno de quatro áreas-chave:

Escolhas de Vida Saudável
Detecção Precoce
Tratamento para Todos
Qualidade de Vida



quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O tempo não pára!



29 de janeiro de 2014.

Foi em puro estado de choque, debaixo de um enorme céu estrelado, de um luar frio e tremendamente extasiante, que regressei a casa, depois da consulta que mudaria, para sempre, o rumo da minha vida.  

A curta distância que separava o hospital de minha casa, foi feita em silêncio emocional.

Sozinha no carro, o vidro do pára-brisas transformou-se de imediato, numa enorme tela de cinema na qual, eram projetadas à velocidade da luz, imagens de vidas, amores e receios!

No rádio, a música completava a banda sonora do filme da dura realidade!

A letra, que no início provocou em mim dor, muita dor... Dor da perda, dor da derrota, aos poucos foi-se tornando hino de guerra!

Guerra contra algo que eu não permitiria que me derrubasse!
Guerra contra algo que eu não pedi!
Guerra contra um inimigo que se escondia dentro de mim e com o qual eu teria de lutar com todas as minhas forças.

E desta forma, cantando alto e de forma louca, prometi:

"Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui"

Chorei, chorei muito, mas a partir dessa noite fria de inverno, e após percorridos 20 quilómetros de memórias, decidi não chorar mais.

Estava decidida a ser a autora do guião da minha vida!

Porque, O TEMPO NÃO PÁRA!



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Cancro ponto e vírgula!


Hoje, enquanto preparava o jantar, passava na televisão uma reportagem sobre a exposição patente na Fundação Calouste Gulbenkian intitulada: "Cancro Ponto e Vírgula" a qual, curiosamente, também hoje partilhei no Facebook!

A minha filha brincava na sala, entretida num mundo de fantasia tão próprio da sua idade.

Vinda sem se anunciar, entrou na cozinha e colocou a mão sobre o meu braço e, de uma forma avassaladora disse: "Mãe, afinal não és só tu que tens cancro!"

Pela primeira vez desde que me foi diagnosticado o carcinoma, senti medo!

Medo da resposta que teria que dar à minha filha!
Medo de não saber tranquilizá-la!
Medo de não conseguir protegê-la!

Durante todo o processo de tratamento, que passou por duas intervenções cirúrgicas e trinta sessões de radioterapia, a palavra "cancro" sempre foi mantida longe das nossas vidas, não por uma questão de negação, mas porque a carga negativa que ela transporta em si poderia tornar-se nociva, e corroer tudo à sua volta.

Mas hoje, pela primeira vez, a palavra foi dita pela boca inocente da minha filha!

Não neguei, já não podia afastá-la da amarga realidade.
Expliquei o que ela sempre soube mas de uma forma mais verdadeira, e não tão "cor-de-rosa" como nós pais, teimamos em contar às crianças com medo delas não entenderem ou de fazê-las sofrer.

Apenas uma dúvida pairava no seu pensamento: "Mãe, e porque é que o cancro é ponto e vírgula?"

"Porque não tem que ser o fim! Porque não tem que ser um ponto final. Porque temos que acreditar, sempre, que o cancro pode ter cura!" Disse eu, ajoelhando-me perante uma menina de olhar doce e terno que me abraçou e disse ao ouvido: "Fofa, o teu cancro é um cancro ponto e vírgula!"

E da mesma forma que chegou, desapareceu, para de novo mergulhar na sua brincadeira de príncipes e princesas.

E eu, de joelhos, agradeci!


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A gravidez que não se deseja!



Faz um ano que descobri que estava "grávida"!
Tal como na primeira gravidez, esta também não tinha sido planeada.

Apenas uma diferença a distinguia da primeira: o meu "bebé" não estava a ser gerado na barriga mas sim, no meu peito, mais precisamente, na minha mama direita!

Tal como na primeira vez, o choque foi imediato! 
Medo, incerteza, dúvida, foram sentimentos que pairaram na minha cabeça durante algum tempo, nas duas ocasiões.

O momento em que, à 7 anos, a ginecologista através da ecografia me disse que esperava um bebé, foi perversamente igual ao momento em que o senologista me disse que no meu peito estava a se desenvolver um nódulo!

A minha filha, que tanto pedia um irmão, tinha que ser preparada para a possibilidade deste "irmão" poder vir-lhe a roubar a mãe!

Não podia permitir que tal acontece-se!
A minha princesa merecia o melhor de mim...

Agarrando-me com toda a força, fé, confiança e, acima de tudo num Credo Superior, recebi o resultado que qualquer mulher mais teme: Carcinoma Ductal Invasivo no quadrante superior da mama direita!

Ao contrário da minha primeira gravidez, esta não era desejada! Não resultava de um ato de amor entre um homem e uma mulher. Era apenas fruto de uma vontade própria, egoísta e devastadora de umas células degenerativas!

Abortei! É o que melhor resume a cirurgia realizada de excisão.
A perda de algo que nos rouba parte de nós!

Qualquer mulher quando passa pela experiência de ter um filho, transforma-se, fica mais forte, capaz de tudo por um amor incondicional jamais imaginado atingir.

Pois eu, tive a sorte de ter sido mãe, duma menina que me tornou numa guerreira, numa lutadora, numa mãe-coragem capaz de tudo em nome desse amor; e de uma neoplasia que me definiu o importante, o essencial e a razão do meu viver!

Trouxe-me o saber aceitar, o saber agradecer e principalmente permitiu que eu me encontrasse!

Ainda tenho um longo caminho a percorrer mas, agora sim, sinto que estou no meu caminho...

Sorrindo para a Vida!