Hoje, enquanto preparava o jantar, passava na televisão uma reportagem sobre a exposição patente na Fundação Calouste Gulbenkian intitulada: "Cancro Ponto e Vírgula" a qual, curiosamente, também hoje partilhei no Facebook!
A minha filha brincava na sala, entretida num mundo de fantasia tão próprio da sua idade.
Vinda sem se anunciar, entrou na cozinha e colocou a mão sobre o meu braço e, de uma forma avassaladora disse: "Mãe, afinal não és só tu que tens cancro!"
Pela primeira vez desde que me foi diagnosticado o carcinoma, senti medo!
Medo da resposta que teria que dar à minha filha!
Medo de não saber tranquilizá-la!
Medo de não conseguir protegê-la!
Durante todo o processo de tratamento, que passou por duas intervenções cirúrgicas e trinta sessões de radioterapia, a palavra "cancro" sempre foi mantida longe das nossas vidas, não por uma questão de negação, mas porque a carga negativa que ela transporta em si poderia tornar-se nociva, e corroer tudo à sua volta.
Mas hoje, pela primeira vez, a palavra foi dita pela boca inocente da minha filha!
Não neguei, já não podia afastá-la da amarga realidade.
Expliquei o que ela sempre soube mas de uma forma mais verdadeira, e não tão "cor-de-rosa" como nós pais, teimamos em contar às crianças com medo delas não entenderem ou de fazê-las sofrer.
Apenas uma dúvida pairava no seu pensamento: "Mãe, e porque é que o cancro é ponto e vírgula?"
"Porque não tem que ser o fim! Porque não tem que ser um ponto final. Porque temos que acreditar, sempre, que o cancro pode ter cura!" Disse eu, ajoelhando-me perante uma menina de olhar doce e terno que me abraçou e disse ao ouvido: "Fofa, o teu cancro é um cancro ponto e vírgula!"
E da mesma forma que chegou, desapareceu, para de novo mergulhar na sua brincadeira de príncipes e princesas.
E eu, de joelhos, agradeci!
muito bom! beijos
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